Serei sempre tua? Tu prometeste…


O meu relógio marca 20:00, neste momento estou sentada na minha cama, ao meu lado tenho um peluche que mede cerca de um metro, quando estou triste, aperto-o com força, ele escuta-me.

Conheci um rapaz, olhei-o por instantes, mas ele tinha namorada e pareciam tão felizes juntinhos, mãos dadas, sorrisos rasgados. Ela parecia uma modelo, oh meu Deus poderia ele olhar para mim? Acho que subestimei as minhas qualidades, aquilo que faz de mim quem sou verdadeiramente e subestimei até a minha beleza. Fui burra.

Surpreendi-me com um simples tocar do telemóvel, o número era desconhecido, mas a pessoa por detrás desse mesmo número sabia tudo de mim; nome, idade, roupa que costumava vestir, a cor do meu cabelo e até com quem costumava passear nas tardes de sol.

Seria a mesma pessoa que eu olhara e queria encontrar? Sim pelo nome que me disse depois de omitir o verdadeiro, sim era ele. Aquele que eu olhava sempre que cruzava o meu caminho com a sua namorada top, que tampouco se conseguia equilibrar em cima de um salto de 15 cm.

O verão chegou rápido, depois de longas conversas; o primeiro encontro surgiu, o primeiro beijo dado às pressas, o primeiro toque sem permissão.

Ele era a peça que faltava em mim para completar a minha felicidade. Perguntei-lhe por ela, já não estavam juntos, apanhamos o mesmo autocarro, partilhamos lugares lado a lado e ele viu-se obrigado a fazer alguns quilómetros a pé apenas para estar um pouquinho mais comigo.

Lembro-me da última vez que estivemos juntos, na festa gastronómica de Machico, ele veio ter comigo e estivemos uma hora e tal ou talvez muitas mais, juntos. E assim surgiu o primeiro beijo sem pressas, longo, com sentimento, que eu tanto anseava.

Mas desde o último toque, viramos as costas e nunca mais nos vimos, falamos sim por longo tempo através da tela de um computador, mas não o podia tocar, não era a mesma coisa, não há melhor sensaçao no mundo do que puderes recostar a tua cabeça sobre o peito da pessoa que amas e sentires-lhe a respiraçao suave acariciar-te os cabelos.

Falávamos tanto, ele começou a tirar a carta, continuava a estudar, lembro-me também da primeira vez que ele me mostrou o seu animal de estimação, uma tartaruga, era linda e tão indescritível, tão tímida ao toque uma representação perfeita daquilo a que chamamos amor.

As conversas foram desaparecendo devagar, como o sol que some por entre as nuvens quando o dia começa a ficar gélido.

Perguntava-me qual a razão, não havia um motivo para aquela distancia tao repentina, tão sem sentido, na minha cabeça. Mas, na verdade havia; aquela rapariga dos saltos altos voltara, desta vez andava de chinelos mas continuava a mesma, cabelos pretos longos, baixa e sempre com o mesmo estilo.

Ela voltara a ser a minha desilusão, quem se metera no caminho que estava tão correto, que tinha tudo para dar certo. Procurei uma explicação e ele nunca me deu um explicação.

Ken e Barbie esse nome, esse sentimento ficara por ali, magoado e destruído. Até ao dia em que eu vi pelos meus próprios olhos, foste buscá-la à porta da sala, estavas a segurá-la com cuidado enquanto descias as escadas, para ela não cair porque lá estava ela a calçar de novo o salto no qual não se conseguia equilibrar.

Cruzei o vosso caminho, não sorri apenas destruí o que ainda restava dentro de mim.

Nessa altura sofri, senti a dor que nunca antes sentira e tinhas logo que ser tu a causar-me essa dor? A desiludir-me desta maneira cruel? Foi a partir desse dia, que eu sorri e nunca mais olhei para trás, segui em frente via-te de vez em quando e ainda magoava.

Mandei-te cartas sempre assinadas da mesma forma; barbie, o nome que costumavas chamar-me, talvez fosse parecida com ela, cabelos loiros, corpo bem formado, roupa desportiva; uma barbie normal, pensaste que eu era daquelas que se comprava no supermercado, mas não, eu era de carne e osso tal como tu.

Eu desisti, até que me ligaste de madrugada e querias ver-me, mas eu tinha namorado; uma pessoa que me tinha feito acreditar no amor de novo, lembro-me que nessa noite estavas de jeans, blazer (que hoje em dia ainda o usas) e tinhas o teu braço direito magoado; sim apercebi-me que estava magoado quando o agarrei e tu disseste que eu te tinha aleijado, tinhas uma ligadura no cotovelo.

Nessa noite tu afinal não querias falar comigo, tu deixaste-me de mãos atadas no passado e pensavas que ao aparecer ias resolver tudo, enganaste-te, eu cresci.

E agora que três anos se passaram voltaste e cruzamo-nos, eu não pedi isto, pedi um amigo, aquele amigo que eu tinha antes de todo o sentimento aparecer.

Eu sou culpada, mas não sou a única, admito, procurei-te nas redes sociais e não foi nada difícil de te encontrar, encontrei-te à primeira, mas não; o pedido de amizade não aconteceu à primeira vez que te procurei, eu vi que ainda estavas com ela, com a mesma que te fez desistir de nós.

Deixei de lado e continuei a minha vida, este ano, 2015 comecei a trabalhar, ainda estava na mesma relação da mesma noite em que ele veio à minha procura, mas essa relação estava a acabar, estava por fios.

Foi entao que te fiz um pedido de amizade e tu aceitaste. Admiração minha já não estavas com a mesma, afinal nem eu nem ela fomos o suficiente para ti, ou talvez tenhas visto que o sentimento era falso. Sei lá qual a tua resposta sobre isto.

Fomos falando, tu não parecias o mesmo, não tinhas a vontade de falar como antes, era por causa dela, eu sei que sim. Sei também que ela todos os dias entrava no teu perfil e via o meu.

Dia 13 de julho mandaste-me mensagem a dizer que fazia anos, se eu poderia estar contigo, eu disse que não. Apesar de um não, não desististe de ouvir um sim. Demorou mas conseguiste tê-lo, foi dia 20 de julho que estivemos juntos novamente, depois de um reencontro esperado pelo dois.

Vieste-me buscar por volta das 21h, eu fui ter contigo; não fui daquelas que se querem vestir bem para agradar, nesse dia estava de calças de ganga pretas, top curto, ténis e casaco de ganga. Ao leres isto dirias, foste assim ter com um rapaz? Sim fui, eu sou assim porque iria eu colocar um vestido e um sapato. Eu sou mais bonita à minha maneira.

Nesse dia olhas-te para mim e disseste que era linda. Fomos até ao café, até ao Cristo Rei e foi aí que tentaste pegar na minha mão e eu como sou má retirei-a de entre os teus dedos, fiz-te isso toda a noite e tu já chateado a resmungar comigo e eu a pegar contigo, eu disse para ires dar a mão aos senhores que estavam à nossa frente de mão dada e tu respondeste-me que se quisesses a deles não pedias a minha nem estavas comigo.

Lembro-me do dia que os nossos corpos se encaixaram perfeitamente um no outro, a entrega e a dedicação para ser perfeito, para haver prazer, para tudo dar certo.

Sim foi no carro que aconteceu a vez que me ficou na memória. a minha primeira vez com o homem que está na minha cabeça à mais de três anos.

Sentaste-te no banco de trás e disseste para eu ir contigo, e eu disse que não que ficasses sozinho, pediste para ir e me encostar no teu peito e aí eu fui, deitei-me no estofe e encostei a minha cabeça, estivemos a conversar do tempo em que não estávamos juntos, do que tinha-se passado connosco antes.

E aconteceu, deitaste-me no estofe, beijaste-me, deitaste-te em cima de mim e perguntas-te se eu queria. Foi intenso eu nunca me tinha entregado daquela maneira a ninguém.

Com tudo isto eu pensei que estava tudo a mudar entre nós, nós juntos tínhamos os melhores momentos, passeávamos juntos na praia, sorriamos um para o outro quando menos estávamos à espera. Tocavas-me no rosto e afastavas-me o cabelo com a maior delicadeza antes de um beijo forte, longo e apaixonado.

Disseste que a música que tocava era para mim quando eu nem sabia o que ia tocar depois. Seguravas-me na mão enquanto conduzias, não a largavas nem para fazer a mudança de velocidade, só de vez em quando e voltavas a agarrar e no fim não suportamos os nossos defeitos.

Sim eu enviei-te este texto, isto representa o NÓS, que não sei se já terminou. Eu tenho esperança que eu e tu sejamos felizes “VAIS SER SEMPRE MINHA RAPARIGA!”, como me dizias e logo de seguida me beijavas.

Eu consegui escrever tudo isto a sorrir, mas escrever a frase que me dizias, a lágrima caiu e uma sucessão delas.

Espero que esta seja a última que cai do meu rosto de tristeza, porque de felicidade espero que venham muitas.

Serás sempre o meu Ken, e estás marcado na minha vida, a minha tatuagem tem significado, tem tudo.

Da Barbie…

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– Este texto é baseado numa história real, cujas fontes permanecem sempre no anonimato. Envia a tua história para leticiabritoblog@hotmail.com ou preenche o formulário disponível no blog, na secção Projeto “É Um Segredo” 

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